A importância do manejo das plantas daninhas na entressafra

terça-feira, Agosto 21, 2018

São muitos e diversos os problemas que o agricultor enfrenta para levar a bom termo o seu campo de produção. Ele enfrenta as contrariedades do clima, das pragas, das doenças e das plantas daninhas, todos reclamando parte da sua safra. Neste espaço, vamos abordar apenas o problema representado pela competição exercida pelas plantas daninhas na cultura da soja, considerando que nos aproximamos da data do estabelecimento da nova safra e algumas medidas precisam ser iniciadas agora ou proximamente.

Pesquisas da Embrapa indicam que plantas infestantes são mais facilmente controladas na entressafra, quando ainda estão pequenas e mais suscetíveis aos herbicidas. O controle posterior é dificultado pela alta infestação, dada a grande capacidade de multiplicação da maioria das invasoras.  A dessecação pré-semeadura em Sistema Plantio Direto (SPD) é importante para implantar as culturas de primavera/verão no limpo, facilitando o manejo no período após a emergência. A semeadura só deveria ocorrer após a completa dessecação da vegetação presente na lavoura e, considerando que a quase totalidade da soja cultivada no Brasil é realizada no SPD, a área de plantio deveria estar totalmente livre de plantas infestantes na data da semeadura.

As invasoras competem com a soja por água, luz e nutrientes podendo, ainda, ser hospedeiras de pragas e doenças da lavoura. Controlá-las, portanto, é fundamental, começando pelos cuidados para não introduzi-las no espaço produtivo junto com os fertilizantes ou com as sementes de plantas de cobertura ou até mesmo, da soja. Não existe herbicida capaz de controlar todas as invasoras, durante todo o ciclo da cultura da soja. É normal que, num universo de bilhões de indivíduos de determinada invasora, alguns sobrevivam à dose que seria letal à espécie, gerando populações de biótipos resistentes.

É interessante salientar que o uso de cultivares de soja tolerantes ao glifosato (soja RR) facilitou muito o manejo de plantas daninhas em função, principalmente, do amplo espectro de controle desse herbicida. Contudo, o uso excessivo e indiscriminado do herbicida promoveu o surgimento de plantas daninhas resistentes ao glifosato, como a buva e o capim amargoso, exigindo muitas vezes o uso de outros herbicidas, mesmo na soja RR.

As plantas daninhas continuarão a ser um problema de difícil manejo, embora o setor produtivo da soja possa contar com a expectativa de soluções tecnológicas futuras capazes de amenizar as contrariedades, igual aconteceu com a soja transgênica resistente ao herbicida glifosato.

A propósito, seria pedir demasiado ao agricultor que, na rotina diária de monitoramento da sua lavoura, identifique o surgimento das plantas resistentes e as elimine antes que elas produzam e espalhem suas sementes?!



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