Moderfrota

segunda-feira, Novembro 21, 2016
Diante do reaquecimento das vendas de máquinas agrícolas no país nos primeiros meses deste ano­ safra (2016/17), o governo já decidiu que vai aumentar em até 50% os recursos do Moderfrota, principal linha de crédito que os produtores rurais têm à disposição para renovar as frotas de tratores e colheitadeiras.
 
O atual Plano Safra, que entrou em vigor em 1º de julho, reservou R$ 5 bilhões ao Moderfrota, que é alimentado com recursos do BNDES e tem taxas de juros subsidiadas pelo Tesouro. O montante já é 51,5% superior ao inicialmente programado para a temporada passada (R$ 3,3 bilhões), mas, diante da forte recuperação da demanda, 58% dos recursos foram contratados até o fim de outubro e, se não houver uma suplementação, a indústria de máquinas teme uma nova paradeira no primeiro semestre do ano que vem.
 
Os primeiros sinais dessa recuperação, aliás, vieram ainda no fim do primeiro semestre deste ano, depois de pelo menos um biênio de retrações. Para abrir espaço à retomada, o governo inclusive elevou o orçamento do Moderfrota em 2015/16 de R$ 3,3 bilhões para R$ 4,2 bilhões. E, há algumas semanas, as empresas de máquinas reunidas na Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) pediram ao governo que o mesmo seja feito agora.
 
Segundo a Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a receita dos fabricantes do segmento caiu mais de 30% em 2015, o que, para as empresas, reforça a necessidade de deixar as vendas fluírem nos próximos meses. Em setembro e em outubro, como informou o Valor, as vendas de tratores e colheitadeiras somaram quase 10 mil unidades no atacado, ante menos de 8 mil no mesmo período de 2015 (ver infográfico).
 
Segundo o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, com a tendência de retomada dos investimentos no campo, fruto de boas perspectivas para produção e renda, a ideia é inflar os recursos da linha em 2016/17 de R$ 5 bilhões para R$ 7,5 bilhões. Mas ele quer obter da indústria o compromisso de que os preços das máquinas não vão aumentar por causa disso. As indústrias evitam falar sobre preços, mas fontes da área dizem que os descontos oferecidos no primeiro semestre eram consideráveis. Só que, de acordo com Geller, em revendas de Mato Grosso, por exemplo, os preços já começaram a subir.
 
Na próxima semana, o secretário deverá se reunir com representantes da Anfavea e da Abimaq, para bater o martelo sobre a suplementação. Até porque, no momento, há mais R$ 700 milhões em análise prestes a serem liberados pelos bancos. Geller afirma que a alocação de recursos adicionais no Moderfrota foi acertada com o novo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Fábio Kanczuk, em reunião com técnicos das duas Pastas na quarta­feira. Agora, caberá à Agricultura encontrar a fonte desses recursos dentro do próprio Plano Safra 2016/17.
 
O montante extra de R$ 2,5 bilhões poderá vir do Pronamp, linha do plano destinada a médios produtores que vem sendo subutilizada. Outra parte poderá vir de recursos que foram reservados pelo Tesouro para viabilizar renegociações de dívidas com crédito rural contraídas por produtores de várias regiões na safra 2015/16. O secretário do ministério esclarece que, dos R$ 9,8 bilhões reservados pelo Tesouro para esse fim, apenas R$ 2 bilhões foram utilizados até agora.
 
No encontro com Kanczuk, Geller também pediu para que os juros das linhas de investimento do Plano Safra em vigor, que giram em torno de 8,5% a 12% ao ano, também possam ser reduzidas depois da queda da taxa básica de juros (Selic). No caso do Moderfrota, as taxas são de 8,5% e 10,5%, a depender do limite de financiamento.
 
João Carlos Marchezan, presidente do Conselho de Administração da Abimaq, afirma que a percepção no segmento de máquinas é que a demanda pelos recursos do Moderfrota deverão superar o volume inicialmente disponibilizado pelo Plano Safra por volta de fevereiro. Segundo as estimativas da entidade, o ritmo atual da demanda sugere que os produtores poderão usar até R$ 10 bilhões, se o montante estiver disponível. "Entendemos que o momento da economia é delicado, mas o agronegócio não parou e, se o governo não suplementar os aportes, vai faltar recursos ao Moderfrota", reforça.
 
Mas Marchezan diz ser inevitável que os fabricantes aproveitem a tendência de recuperação do apetite por linhas de investimento no campo para compensar os custos absorvidos recentemente com mão de obra e com a sua principal matéria­ prima, o aço. "Esse aumento [de preços] existiria com ou sem demanda forte. É uma compensação pela queda dos preços que tivemos", afirmou.
 
Mais Informações acesse: www.anfavea.com.br
 
MINAS VERDE JOHN DEERE SEMPRE AO SEU LADO!
 


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